Plano de Negócios – Aquaponia Comercial

Disponibilizo aqui em formato .pdf trabalho apresentado no curso de Gestão Empresarial na Faculdade de Tecnologia FATEC de Americana (SP). Trata-se de um estudo sucinto sobre a Aquaponia Comercial, focado no desenvolvimento de um Plano de Negócios para a implementação da Aquaponia como atividade comercial.

Aquaponia Comercial Plano de Negócios Fábio Wakisaka

Agradeço a orientação dos professores RICARDO BERTONI POMPEU e SÉRGIO LUIZ CABRINI.

Aquaponia como Projeto de Reintegração Social

Inicio esse post com muito otimismo, pois acredito no potencial da Aquaponia como um fator a ser considerado, no que se refere à reintegração social.

Cito como exemplos um vídeo no Youtube, onde é desenvolvido um projeto excepcional, na cidade de Itu, pelo pessoal do Crescimento Limpo:

Ainda, temos a Aquaponia sendo adotada em unidades prisionais:

Projeto de Aquaponia em unidade prisional da SAP gera exemplo de sustentabilidade

Ação entre professor de biologia e reeducandos do CDP III de Pinheiros cria projeto que associa criação de peixes com o cultivo de hortaliças

http://www.sap.sp.gov.br/noticias/not816.html

Acredito que a Aquaponia, assim como outros projetos de reintegração sociais, isentos de qualquer pretensão comercial, e que visem de fato o auxílio a pessoas menos favorecidas, ou em situação de exclusão social, podem ser de grande valia.

Imagino que o investimento seja baixo, tendo em vista o baixo custo para se montar e manter um sistema simples de aquaponia.

Os benefícios acredito serem vários:

– as atividades remetem ao pertencimento das pessoas, trazendo-as de volta à sociedade;
– baixo custo, e produção, que podem ser consumidas, ou gerar fonte de renda;
– assim como nas hortas, que já são realidade em diversos projetos, é necessário o trabalho e envolvimento das pessoas;
– atividade extremamente prazerosa, o que pode auxiliar na recuperação da auto-estima das pessoas, pois os resultados são visíveis, e encantam a todos.

Referências no Brasil

Este site, a experiência adquirida, os erros evitados, os sucessos e a inspiração não seriam possíveis sem a colaboração de pessoas incríveis, que gentilmente divulgam informações e se dedicam à aquaponia no Brasil:

Paulo Carneiro:

 

Walter Alves do Amaral:

 

Paulo, Aquaponia Coyote:

 

Emílio, Aquaponia Beira-Mar:

 

Aquaponia Equilibrium:

 

Econós Aquaponia e Sustentabilidade:

 

Aquaponia MS:

 

Peixe com Salada ETC:

 

Agradeço imensamente o conteúdo compartilhado na Internet.

Aquaponia – Replicação da natureza

Um dos pressupostos do sistema de aquaponia é o de que a bomba de ar não irá parar de funcionar.

Como temos um sistema fechado, a intermitência se deve à eletricidade. Dificilmente poderíamos recriar um sistema auto suficiente, que simulasse todas as fases encontradas na natureza.

Vamos por partes. Os dejetos dos peixes, que no sistema aquapônico são filtrados e utilizados como fertilizantes, na natureza percorrem um caminho um pouco mais longo. Os dejetos dos peixes nos rios e lagos, por exemplo, sedimentam-se naturalmente, e são convertidos em nitritos e nitratos por bactérias que vivem ali mesmo.

A absorção dos nutrientes é realizada parcialmente na beira dos rios. Percebe-se isso pelas parcas plantações naturais ribeirinhas. Já na aquaponia, o ideal é aproveitar ao máximo os dejetos, o que acontece nas camas de cultivo, ou nos canos de PVC.

A evaporação natural, e a consequente condensação e precipitação (chuvas), são os elementos que mais se aproximam da função das bombas. Jogar a água para cima, e com a força da gravidade, percorrer os caminhos naturais como montanhas, cachoeiras, swirl filters, rios, canos, deltas, camas de cultivo, requerem uma forma de energia. Na natureza, essa energia é a luz do Sol. Nos sistemas aquapônicos, a energia elétrica é a opção mais utilizada.

Notadamente, poderíamos tentar fontes de energia sustentáveis, como a luz solar, ou mesmo a eólica (ventos).

A luz solar já é utilizada. Em breve, iremos disponibilizar um tutorial com o passo a passo para captar a luz do Sol, e armazená-la em baterias simples, que podem alimentar as bombas de ar mais simples.

A energia eólica é também uma alternativa, se combinada com o armazenamento da energia gerada em baterias. Transformar a energia mecânica em única alternativa para “jogar” a água para cima pode ser arriscado. Certas plantas necessitam de água, e uma eventual falta de vento pode ser crítica para a correta irrigação.

Estamos em fase de testes, onde serão utilizados em nossos projetos recursos computacionais como Arduino para automatizar alguns processos. Detecção de falta de água, nível de água, da queda de energia, são alguns exemplos extremamente simples que podem ser monitorados com essas tecnologias (baratas, menos de R$ 100,00).

Limpeza das camas de cultivo

Com o tempo, as camas de cultivo (growbeds) podem apresentar excesso de sujeira. Isso se deve ao acúmulo de detritos, como os dejetos dos peixes, raízes, folhas, insetos, etc.

De fato, essa é uma das funções da cama de cultivo. Reter essa sujeira, de forma que a água volte limpa para o tanque de peixes, é fundamental para o equilíbrio do sistema. Relembrando o ciclo da amônia, é através das raízes das plantas que os nitratos são absorvidos.

Para limpar as camas de cultivo o processo é simples. Basta interromper o fluxo de água (pode-se desligar a bomba por alguns minutos), retirar as plantas com cuidado (caso já não tenham sido retiradas), colocar as camas de cultivo no chão, e lavar as pedras, cascalhos, argila expandida, etc, em água corrente.

Feita a limpeza, é só recolocar as plantas, tomando o cuidado com as raízes, que devem ficar bem assentadas.

Importante: se você tem mais de uma cama de cultivo, não faça a limpeza de todas ao mesmo tempo. As bactérias criam suas colônias justamente nas pedras, na argila expandida. Caso vocẽ não tenha um filtro (que também utilize pedras, cacos de telha, argila expandida), e elimine totalmente essas colônias, o sistema irá ficar desequilibrado em relação à amônia. O prazo ideal para a limpeza entre uma e outra cama de cultivo é o período necessário para a ciclagem: em torno de 30 a 45 dias.

TPA – Troca Periódica de Água na Aquaponia

Uma das vantagens do sistema de aquaponia é a economia de água. Se levarmos em consideração que a água é utilizada para irrigar as plantas, estima-se uma economia de 90%, se compararmos com a irrigação “normal”.

É importante, no entanto, estar atento à qualidade da água. Com o tempo, são grandes os riscos de se acumularem partículas que podem ser nocivas aos peixes.

Na natureza, a água se renova. Deve-se entender a natureza como um ciclo complexo, infinitamente mais completo que um sistema aquapônico simples. Existem inúmeros fatores que acabam interferindo na qualidade da água na natureza, como por exemplo o solo (e sua composição), a chuva, rios e lagos, peixes, plantas, que a todo instante trabalham de forma conjunta, permitindo que o sistema permaneça em equilíbrio.

Já em um sistema aquapônico, mesmo como um sistema eficiente de filtragem, a água pode ter sua composição alterada. Partículas que podem passar despercebidas a olho nu podem ser nocivas para os peixes e plantas. Como exemplo temos o muco epitelial dos peixes, ácidos, proteínas.

Dessa forma, é recomendado um procedimento chamado de TPA – Troca Periódica de Água. Através da TPA, pode-se dizer que a água se renova.

A TPA, em aquários, é feita com relativa frequência. Descarta-se uma porcentagem pequena de água (em torno de 10% a 20%), e completa-se com água limpa (sem cloro, por exemplo).

Essa porcentagem, onde se mantém os 80% ou 90% de água anterior, não afeta de forma significativa a biologia que já reside na água. Lembra-se da ciclagem? Das bactérias?

Os peixes são muito sensíveis à mudanças bruscas de água. Dessa forma, mantendo-se esse percentual baixo para as trocas, como periodicidade mensal, por exemplo, não há riscos significativos.

Dica 1: ao realizar uma TPA, não troque ou lave as mídias filtrantes. Nos sistemas de aquaponia, tais mídias normalmente são a argila expandida, ou as pedras brita, ou os pedaços de tijolos, onde estão instaladas as colônias de bactérias. Evita-se, assim um desequilíbrio na biologia instalada.

Dica 2: realize a TPA descartando os resíduos dos filtros, ou então, fazendo uma sifonagem simples do tanque de peixes, usando uma mangueira. Com o tempo, certos detritos podem se acumular, e não serem “sugados” pelo overflow. Caso você não tenha uma peneira simples, basta usar a mangueirina imersa na água, que ao ser colocada uma ponta para fora, irá drenar os sedimentos.

Tanque de peixes sempre limpo

No sistema de aquaponia, a idéia central é de que a água leve os dejetos dos peixes para as plantas, e retorne limpa.

Para que a água leve os dejetos (ou para os filtros, que irão reter a sujeira mais grossa, ou para as camas de cultivo, que servirão de filtros diretamente), é preciso tomar diversos cuidados.

O primeiro deles é em relação à saída da água. O ideal é que o tanque de peixes não tenha uma saída na parte de baixo. Confira na imagem:

Saída de água por cima
Saída de água por cima

 

Perceba que a água é “sugada” do fundo, à medida em que mais água entra no tanque. Ao mesmo tempo em que o nível da água aumenta no tanque, ela precisa escapar para algum lugar. Como o cano na parte de cima é aberto, necessariamente a água é puxada pela parte de baixo. Dessa forma, os dejetos dos peixes são “aspirados”, mantendo a água limpa.

Overflow
Overflow

 

Esse sistema é conhecido como Overflow. O Overflow deve ser projetado de forma a não encostar diretamente no fundo do tanque, para que ele mesmo não impeça o escape da água. Isso pode ser feito através de pequenos “dentes” e “janelas”, que ao mesmo tempo sustentam o cano, e permitem a passagem da água com os dejetos.

Base overflow
Base overflow

 

Recomenda-se não se fazer o furo para o dreno da água na parte de baixo, nem mesmo embaixo do tanque de peixes. Há o risco da água escoar, por diversos motivos: flange mal instalada, vazamentos, pressão da água.

Caso a água escape, são grandes as chances dos peixes não resistirem, seja pela pouca água que sobrar, ou pela nova água que for colocada, e que provavelmente não estará ciclada.

Como iniciar um sistema de Aquaponia

Para se iniciar um sistema de aquaponia, é importante entender alguns conceitos fundamentais.

O primeiro deles diz respeito à integração entre os peixes, as bactérias e as plantas. Saiba mais no post abaixo:

O que é Aquaponia?

 

Montar um sistema aquapônico não é difícil. São necessários alguns itens principais, como o tanque de peixes, sistema de filtragem (utilizando baldes, bombonas, etc), camas de cultivo (caixas de massa de pedreiro), canos e peças de encanamentos diversos, e uma bomba de aquário ou de máquina de lavar roupas. Confira os detalhes nos posts a seguir:

Como construir um sistema de aquaponia

O Tanque de Peixes

Os filtros

Lemna, ou lentilha dágua

Uma das formas de se alimentar os peixes é cultivar a Lemna, ou lentilha d’água.

Lemna ou lentilha d'água
Lemna ou lentilha d’água

 

Segundo a Wikipedia:

Lemna minor é uma pequena planta aquática, conhecida pelo nome comum de lentilha-de-água, com distribuição cosmopolita.

Apresenta uma morfologia muito simplificada com o seu corpo vegetativo reduzido a uma estrutura taloide semelhante a uma minúscula folha flutuante. Os talos são oblongos, com 3 nervuras destacadas. As plantas submergem ligeiramente para florescer.

Cresce com tanta rapidez e eficiência que pode provocar grandes danos, como é o caso do Lago de Maracaibo, eutrofizado em resultado dos fertilizantes residuais das plantações circundantes, onde a espécie cresceu de forma incontrolada. Desde a sua aparição no lago, o problema tem aumentando progressivamente, tendo sido já medidos mais de 136 000 ha de Lemna.

De fato, a Lemna cresce muito rápido. Pelo vídeo abaixo, podemos ver que ela dobra sua quantidade, de forma exponencial, a cada 3 dias.

 

Peixes como carpas, cascudos e kinguios parecem gostar da lemna. Fonte de proteínas e fibras, podem ser utilizadas como complemento à ração.

São várias as formas de cultivar a Lemna no sistema aquapônico. Uma delas, é o cultivo em paralelo ao tanque de peixes. Pode-se utilizar uma cama de cultivo, com um Sifão de Bell, da mesma forma utilizada com as plantas na argila expandida.

Cama de cultivo com Lemna
Cama de cultivo com Lemna

 

Dessa forma, as Lemnas podem ser retiradas manualmente, sendo oferecidas aos peixes. Ou ainda, de forma automática via Sifão de Bell. Um Sifão de Bell bem regulado pode drenar, periodicamente, as Lemnas que estiverem em excesso na cama de cultivo.

Outra forma é cultivar a Lemna no próprio tanque de peixes, utilizando uma peneira, por exemplo. Com a peneira boiando (pode-se utilizar uma mangueira, ou isopor), ou suspensa, mas sempre em contato com a água, as Lemnas ficam isoladas, e crescem normalmente. Somente o excesso é consumido pelos peixes, que pode tentar se alimentar sozinhos, puxando as Lemnas pelas raízes.

Cultivo de Lemnas
Cultivo de Lemnas

 

 

Se você tiver interesse, estamos vendendo a Lemna no Mercado Livre. Entre em contato conosco e faremos o possível para que você consiga iniciar o cultivo dessa plantinha.

http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-887656724-planta-flutuante-lemna-minor-lentilha-dagua-frete-gratis-_JM