Aquaponia – Replicação da natureza

Um dos pressupostos do sistema de aquaponia é o de que a bomba de ar não irá parar de funcionar.

Como temos um sistema fechado, a intermitência se deve à eletricidade. Dificilmente poderíamos recriar um sistema auto suficiente, que simulasse todas as fases encontradas na natureza.

Vamos por partes. Os dejetos dos peixes, que no sistema aquapônico são filtrados e utilizados como fertilizantes, na natureza percorrem um caminho um pouco mais longo. Os dejetos dos peixes nos rios e lagos, por exemplo, sedimentam-se naturalmente, e são convertidos em nitritos e nitratos por bactérias que vivem ali mesmo.

A absorção dos nutrientes é realizada parcialmente na beira dos rios. Percebe-se isso pelas parcas plantações naturais ribeirinhas. Já na aquaponia, o ideal é aproveitar ao máximo os dejetos, o que acontece nas camas de cultivo, ou nos canos de PVC.

A evaporação natural, e a consequente condensação e precipitação (chuvas), são os elementos que mais se aproximam da função das bombas. Jogar a água para cima, e com a força da gravidade, percorrer os caminhos naturais como montanhas, cachoeiras, swirl filters, rios, canos, deltas, camas de cultivo, requerem uma forma de energia. Na natureza, essa energia é a luz do Sol. Nos sistemas aquapônicos, a energia elétrica é a opção mais utilizada.

Notadamente, poderíamos tentar fontes de energia sustentáveis, como a luz solar, ou mesmo a eólica (ventos).

A luz solar já é utilizada. Em breve, iremos disponibilizar um tutorial com o passo a passo para captar a luz do Sol, e armazená-la em baterias simples, que podem alimentar as bombas de ar mais simples.

A energia eólica é também uma alternativa, se combinada com o armazenamento da energia gerada em baterias. Transformar a energia mecânica em única alternativa para “jogar” a água para cima pode ser arriscado. Certas plantas necessitam de água, e uma eventual falta de vento pode ser crítica para a correta irrigação.

Estamos em fase de testes, onde serão utilizados em nossos projetos recursos computacionais como Arduino para automatizar alguns processos. Detecção de falta de água, nível de água, da queda de energia, são alguns exemplos extremamente simples que podem ser monitorados com essas tecnologias (baratas, menos de R$ 100,00).

Limpeza das camas de cultivo

Com o tempo, as camas de cultivo (growbeds) podem apresentar excesso de sujeira. Isso se deve ao acúmulo de detritos, como os dejetos dos peixes, raízes, folhas, insetos, etc.

De fato, essa é uma das funções da cama de cultivo. Reter essa sujeira, de forma que a água volte limpa para o tanque de peixes, é fundamental para o equilíbrio do sistema. Relembrando o ciclo da amônia, é através das raízes das plantas que os nitratos são absorvidos.

Para limpar as camas de cultivo o processo é simples. Basta interromper o fluxo de água (pode-se desligar a bomba por alguns minutos), retirar as plantas com cuidado (caso já não tenham sido retiradas), colocar as camas de cultivo no chão, e lavar as pedras, cascalhos, argila expandida, etc, em água corrente.

Feita a limpeza, é só recolocar as plantas, tomando o cuidado com as raízes, que devem ficar bem assentadas.

Importante: se você tem mais de uma cama de cultivo, não faça a limpeza de todas ao mesmo tempo. As bactérias criam suas colônias justamente nas pedras, na argila expandida. Caso vocẽ não tenha um filtro (que também utilize pedras, cacos de telha, argila expandida), e elimine totalmente essas colônias, o sistema irá ficar desequilibrado em relação à amônia. O prazo ideal para a limpeza entre uma e outra cama de cultivo é o período necessário para a ciclagem: em torno de 30 a 45 dias.